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5ª Parte: O Mar – Ecologia e Turismo
CAPÍTULO XII: POLUIÇÃO MARINHA
Figura 1: Exemplos de plâncton e entulho plástico
encontrados nos riachos e no mangue do Estuário
Goiana (Pernambuco).
Legenda: Larvas de peixes: (a) Gobionellus oce-
anicus, (b) Atherinella brasiliensis, (c) Anchovita
clupeoides, (d) zoea de Ucides cordatus, (e) megalopa
de U. cordatus, (f) copépode calanoide; microplás-
ticos: (g, h, i); macroplásticos: (j) fios azuis, (k)
plástico rígido verde, (l) plástico macio branco;
(m) evidência de transferência de MPs de um ní-
vel trófico para outro.
Fonte: Adaptado de Lima et al. (2016) e Ferreira et al.
(2019).
(MPs) é um problema global, pois está presente mesmo em regiões costeiras remotas e
intocadas, provavelmente causando impactos em escala ainda desconhecida. MPs são
plásticos de origem primária e secundária com diâmetros de cinco milímetros ou me-
nos que estão livres na coluna de água ou misturados em sedimentos. Desde o início
dos anos 1970, tem-se conhecimento de que os MPs poluem os ambientes marinhos.
Recentemente, a preocupação vem crescendo à medida que aumentam as quantidades
de microplásticos detectados nos oceanos e que é revelado o desenvolvimento de pro-
cessos inéditos envolvendo esse poluente no mar. Ambientes marinhos costeiros loca-
lizados na porção ocidental tropical e subtropical do Oceano Atlântico (WTAO, do inglês
Western Tropical and Subtropical Atlantic Ocean) estão contaminados com microplásticos
em diferentes quantidades e de uma variedade de tipos (Figura 1).
Os principais compartimentos ambientais (água, sedimento e biota) estão contaminados,
mas as consequências ainda são mal compreendidas. As bacias dos Rios e todas as escalas
de atividades pesqueiras são identificadas como as fontes mais prováveis desse poluente
para as águas costeiras. A ingestão pela biota marinha ocorre nos grupos de vertebrados
(peixes, pássaros, tartarugas e mamíferos marinhos) quando usam esses ambientes con-
taminados. Além disso, a presença de microplásticos em amostras de plâncton de dife-
rentes habitats de estuários e ilhas oceânicas está confirmada (LIMA et al. 2014; 2016).
A conectividade entre compartimentos ambientais relativos à poluição por MPs é uma
nova fronteira para a ciência. Diversos estudos indicam que os detritos plásticos po-
dem ser carreadores de metais pesados e poluentes químicos, como bifenilas policlo-
radas (PCBs), éteres de difenilas polibromadas (PBDEs) e hidrocarbonetos aromáticos
policíclicos (HAPs), que se acumulam na biota. Outros efeitos nocivos dos plásticos
descartados de forma incorreta incluem o transporte de espécies alienígenas/invaso-
ras (GREGORY, 2009).
A aquicultura tem recebido atenção especial como forma de poluição agrícola, devido
ao seu potencial de carga e descarga de efluentes ricos em contaminantes. O impacto
ambiental se deve principalmente à geração de resíduos fecais, fertilizantes orgânicos e
inorgânicos, materiais de calagem, algicidas e herbicidas, desinfetantes e antibióticos,
entre outros contaminantes (SHAHIDUL ISLAM; TANAKA, 2004).
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