Page 401 - Brasil e o Mar no Século XXI
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Centro de Excelência para o Mar Brasileiro
            O BRASIL E O MAR NO SÉCULO XXI
            Finalmente, a poluição sonora passou a ser reconhecida como um importante poluen-
            te do século XXI e está presente na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do
            Mar (CNUDM), tanto na legislação europeia, como na Diretiva-Quadro da Estratégia
            Marinha nº 56/2008 da Comunidade Europeia (BITTENCOURT et al., 2014). O som é
            amplamente disponível em ambientes aquáticos e é usado por muitos animais para
            atividades biológicas fundamentais. Nas últimas décadas, as ações antropogênicas,
            em particular o tráfego de embarcações, levaram à maior poluição sonora no mar, que
            alterou os níveis de ruído em grande escala, provocando alterações e outras mudanças
            significativas nos ecossistemas marinhos, como estresse, distrações e mascaramento
            de importantes sons.
            No  Brasil,  um  estudo  pioneiro  sobre  esse  problema  foi  desenvolvido  na  Baía  de
            Guanabara (BITTENCOURT et al., 2014) e evidenciou um nível de poluição sonora asso-
            ciado ao transporte e ao tráfego de embarcações semelhante ao encontrado em outras
            regiões costeiras afetadas. Segundo esse estudo, o crescimento econômico nos últimos
            anos se refletiu em um incremento no tráfego de embarcações, em construções portu-
            árias, na extração de petróleo e em empresas navais, causando diversas alterações no
            ambiente acústico dos ecossistemas marinhos costeiros.

            A ZC brasileira, além de apresentar grande extensão continental, com ecossistemas ex-
            tremamente diversificados, é o espaço de convergência de alguns dos principais vetores
            econômicos componentes de um sistema voltado para a exportação, que depende, de
            forma significativa, da infraestrutura de apoio logístico necessária à produção e à circu-
            lação de mercadorias.
            Dessa forma, as cidades localizadas na ZC, por apresentarem uma concentração dos in-
            vestimentos, nem sempre crescem de forma ordenada. Esse cenário, característico das
            regiões costeiras, agrava-se no Brasil, como na maioria dos países em desenvolvimen-
            to, em função da acentuada carência de infraestrutura para drenagem urbana, sanea-
            mento básico, gerenciamento adequado de resíduos sólidos e articulação institucional
            necessária à viabilização do planejamento e da gestão dos recursos naturais. Em outras
            palavras, essa conjuntura é um reflexo da ausência de uma política urbana integrada
            às demais políticas públicas. Um exemplo disso é o percentual da população atendida
            por rede de esgoto sanitário. Dados do IBGE de 2008 mostram que 45,7% dos domicílios
            brasileiros têm acesso ao esgotamento sanitário. Em termos regionais, temos:
            •   Norte: 5%;

            •   Nordeste: 29,1%;
            •   Sudeste: 69,8%;
            •   Sul: 30,2%; e

            •   Centro-Oeste: 33,7%.
            As dificuldades institucionais devem ser vencidas por grandes esforços para elaborar
            e  implementar  instrumentos  legais  de  apoio  ao  processo  de  ordenamento,  que  tem
            convergido para a implantação dos acordos e convenções internacionais vigentes. Isso
            possibilita a adoção de estratégias para o aperfeiçoamento da ação gestora, resultando


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