Page 405 - Brasil e o Mar no Século XXI
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Centro de Excelência para o Mar Brasileiro
O BRASIL E O MAR NO SÉCULO XXI
2.2.1. Complexo químico
De consolidação mais recente, os complexos químicos estão presentes em vários seg-
mentos no litoral, explorando matérias-primas desde o sal até o petróleo. Destacam-se:
• Indústrias de álcalis e cloroquímica:
A Companhia Nacional de Álcalis (CNA) pretende investir US$ 110 milhões na
Alcanorte em Macau (RN), onde a exploração do sal, tradicional na região, aliada à
presença de calcário, favorece a implantação da unidade fabril.
Há indústria cloroquímica no município de Lauro de Freitas (Dow Química da Bahia)
e também em Maceió, onde foi instalado o Complexo Químico das Alagoas (CQA),
nucleado pela Salgema (atual Trikken), que explora as ricas jazidas de sal-gema nas
proximidades do Complexo Lagunar-Estuarino Mundaú-Manguaba (Alagoas). A as-
sociação da cloroquímica com a alcoolquímica nessa região eleva o potencial po-
luidor do complexo industrial em uma das áreas mais frágeis do litoral nordestino.
A localização desse polo industrial entre as lagoas de Mundaú e Manguaba pode
trazer sérios problemas ao ecossistema aquático caso não haja tratamento eficiente
dos dejetos lançados. Portanto, esse tipo de atividade deveria ser monitorado por
agências de meio ambiente (estadual e federal) para reduzir as chances de risco de
acidentes. O Complexo Salgema, embora pertença ao polo, está situado dentro do
perímetro urbano de Maceió. Considerando o seu potencial poluidor, pode haver
prejuízos para a saúde da população à medida que aumenta a densidade de ocupa-
ção humana em suas proximidades (GUSMÃO, 1990; NETO et al., 2017). Em vista
disso, seria importante manter a densidade demográfica baixa na área próxima a
essa planta de prospecção de sal-gema.
• Indústrias de adubos e fertilizantes:
Suas instalações cresceram durante a década de 1970 no Brasil, viabilizando a ex-
pansão da agroindústria. Esse segmento está relativamente disperso no litoral, es-
tendendo-se das vizinhanças de Recife (Paulista, PE), com importantes concentra-
ções em Sergipe, até Cubatão (SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS).
Os impactos mais contundentes dessas indústrias estão nas emissões aéreas e nos
aportes hídricos não suficientemente tratados e, assim, ricos em compostos nitro-
genados e fosfatados. Teoricamente, a maioria delas não apresenta efluentes hí-
dricos e recircula a água utilizada nos processos industriais (reúso). Entretanto, os
escoamentos pluviais lavam a planta industrial, empoeirada com emissões aéreas,
e deságuam no ambiente aquático, carreando os compostos químicos que encon-
tram pelo caminho. Dessa forma, a contaminação causada pelas emissões desse ti-
po de indústria favorece intensamente os processos de eutrofização nos ambientes
aquáticos receptores. É o caso típico de uma enseada marginal do estuário da Lagoa
dos Patos (Saco da Mangueira), na cidade de Rio Grande (RS), onde estão instaladas
duas dessas indústrias.
Em termos de funcionamento de uma unidade de produção de cloreto de potássio
(fonte de potássio para a produção de fertilizantes), o litoral da região de Aracaju
(SE) está vulnerável a sofrer os impactos devido ao rejeito dessa indústria, que é de
cerca de 1,3 milhão de t/mês de cloreto de sódio. A execução dessa unidade tem
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