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5ª Parte: O Mar – Ecologia e Turismo
CAPÍTULO XII: POLUIÇÃO MARINHA
em avanços bastante concretos, inclusive pelas exigências do comércio internacional
quanto aos produtos de exportação brasileiros.
2. Atividades poluidoras
2.1. Expansão urbana sem planejamento
A ZC apresenta situações que necessitam de ações preventivas e corretivas para seu
planejamento e gestão a fim de atingir padrões de sustentabilidade. Cinco das nove re-
giões metropolitanas brasileiras encontram-se à beira-mar, respondendo por aproxi-
madamente 15% da população do País. Quando se adicionam os efetivos das outras seis
conurbações litorâneas mais expressivas, atinge-se o total de quase 36 milhões de ha-
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bitantes, distribuídos em apenas 11 aglomerações urbanas na costa (PAUWELS, 1996).
As cinco principais metrópoles correspondem às aglomerações de Fortaleza, Recife,
Salvador e Rio de Janeiro – que estão diretamente assentadas à beira-mar – além de
Belém, situada em região estuarina. Esse conjunto é responsável por uma população resi-
dente de mais de 22 milhões de indivíduos. O nível de concentração demográfica pode ser
percebido quando se observa que esse contingente representa 56% dos habitantes da ZC e
61% de sua população urbana. Levando em conta a magnitude das carências de serviços
urbanos que predominam nessas áreas, elas podem ser consideradas as mais críticas na
zona litorânea. As cidades abrigam complexos industriais dos setores de maior impacto
sobre o ecossistema aquático adjacente (indústrias químicas, petroquímicas e de celulo-
se, entre outras), além da multiplicidade de usos próprios da vida metropolitana.
Essas áreas (pontas de metrópoles), somadas às outras conurbações encontradas no li-
toral (as pré-metrópoles), definem uma segunda classe na hierarquia urbana da ZC: a
das cidades grandes, geralmente identificadas como capitais estaduais não metropolita-
nas e como cidades dedicadas a funções especializadas (MESTRES et al., 2006). Somente
as capitais nordestinas não metropolitanas somam quase três milhões de habitantes
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que, somados aos contingentes das conurbações Santos–São Vicente–Guarujá–Cubatão
(315.563 habitantes) e Vitória–Vila Velha–Serra (1.352.146 habitantes), perfazem uma
população de mais de quatro milhões e meio de indivíduos. Quando se agregam as
seis maiores cidades no cenário nacional – Porto Alegre, Campos, Joinville, Pelotas,
Florianópolis e Ilhéus – esse valor se aproxima dos seis milhões de habitantes vivendo
em 18 núcleos urbanos. Se acrescentarmos as populações metropolitanas, chegamos a
quase 25 milhões de pessoas, o que equivale a 78% da população total da ZC ou 89% de
sua população urbana em apenas 21 localidades no litoral. Outras áreas também mere-
cem atenção em função do aumento da taxa de crescimento populacional e da flutuação
sazonal do número de habitantes devido ao turismo, como ocorre na Região dos Lagos
(RJ), no litoral norte de São Paulo e no Balneário Camboriú (SC).
6 Conurbações são conjuntos de cidades em sequência, sem, contudo, se confundirem.
7 De acordo com Barletta (comunicação pessoal), capitais metropolitanas são aquelas que englobam ou-
tros municípios em seu entorno. No Nordeste, temos Salvador e Recife; as demais capitais possuem
menos habitantes e, apesar de serem as mais desenvolvidas em seus estados, não se desenvolveram de
forma a englobar outros municípios do seu entorno. (Nota do Revisor).
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