Page 197 - Brasil e o Mar no Século XXI
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Centro de Excelência para o Mar Brasileiro
            O BRASIL E O MAR NO SÉCULO XXI
            A produção pesqueira mundial, por meio da pesca extrativa marítima, cresceu bastante
            nas quatro décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial: de valores próximos a
            15 milhões de toneladas em 1945, para cerca de 80 milhões em 1990, um aumento supe-
            rior a cinco vezes. Desde então, a produção estabilizou-se, passando a oscilar em torno
            de 80 milhões de toneladas/ano, com média de 81 milhões entre 1985 e 2018. Em 2018,
            último ano com estatísticas disponíveis, o valor cresceu um pouco, para 84,5 milhões
            de toneladas, contra 81,2 capturadas no ano anterior (FAO, 2020). Apesar da relativa es-
            tagnação da produção pesqueira mundial pela pesca extrativa, essa atividade continua
            tendo uma grande relevância econômica, social e cultural. Em 2018, segundo a FAO
            (2020), cerca de 60 milhões de pessoas em todo o mundo encontravam-se diretamente
            engajadas em atividades de captura ou cultivo de produtos pesqueiros, sendo 14% mu-
            lheres, indicando uma forte predominância masculina no setor (FAO, 2020).

            O comércio internacional de produtos pesqueiros, por sua vez, alcançou em torno de
            US$ 165 bilhões em 2018, com um crescimento próximo a 10% em relação a 2014. Mais
            da metade desse valor (54%) foi representada pelas exportações realizadas por países
            em desenvolvimento, cuja produção de pescado já responde por cerca de 80% do total
            mundial (FAO, 2020). A atividade pesqueira constitui, assim, uma importante fonte de
            emprego, renda e divisas para os países em desenvolvimento, além de possuir grande
            relevância para a segurança alimentar de inúmeras comunidades costeiras.
            O Brasil, apesar do seu extenso litoral e em razão das características oceanográficas
            prevalecentes, tem participado, historicamente, com pouco mais de 0,5% do total pro-
            duzido no mundo pela pesca marítima, com uma produção, em 2010 , próxima a 540
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            mil toneladas. A despeito dessa reduzida participação, a atividade pesqueira nacional
            possui, da mesma forma que na escala global, uma grande importância social, respon-
            dendo pelo emprego direto de aproximadamente um milhão de pescadores, segundo os
            dados do Registro Geral da Pesca.
            Cabe aqui uma importante observação sobre o desenvolvimento sustentável, que sobre-
            leva todas as atividades econômicas ligadas ao mar, incluindo, no caso de seus recursos
            vivos, uma ênfase especial aos aspectos ligados à conservação do meio ambiente e à
            manutenção da base dos recursos naturais marinhos. No setor pesqueiro, o desenvol-
            vimento sustentável implica a viabilidade econômica dos empreendimentos em todas
            as fases da cadeia produtiva. Sempre que foram aplicadas práticas contrárias aos prin-
            cípios da sustentabilidade, ocorreram quedas drásticas de produção por sobre-explo-
            tação. Há que se garantir, assim, a busca da equidade social e do uso atual e futuro dos
            recursos pesqueiros de forma responsável e sustentável. Esse aspecto se torna ainda
            mais relevante se considerado à luz do forte desenvolvimento econômico vinculado ao
            uso dos oceanos, com o crescimento da chamada Economia Azul, em especial na última
            década, tornando imprescindível a implementação de estratégias de gestão integrada
            do uso de áreas marinhas, essencial para assegurar uma convivência harmônica entre o
            crescente desenvolvimento de atividades econômicas, incluindo a pesca, com a neces-
            sária conservação do ecossistema marinho.


            2 Infelizmente, desde 2010 não há estatística pesqueira no País.


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