Page 202 - Brasil e o Mar no Século XXI
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3ª Parte: O Mar – Fonte de Alimentos
                                                                         CAPÍTULO VI: PESCA
            Em decorrência da guerra, em 1942 as Colônias de Pescadores retornaram à circunscri-
            ção do Ministério da Marinha, que determinou a instalação de Centros de Preparação de
            Reservas Navais. Ao final de 1942, foi criada a Comissão Executiva da Pesca (Decreto-Lei
            nº 5.030) para organizar a indústria pesqueira, transformando as colônias de pescadores
            em cooperativas. Em 31 de dezembro de 1945, porém, a referida Comissão foi extinta
            pelo Decreto-Lei nº 8.526, que criou a Caixa de Crédito da Pesca com vistas à concessão
            de empréstimos a pescadores, armadores e empresas de pesca.

            Ainda em 1942, teve início um dos primeiros levantamentos da ictiofauna brasileira por
            meio de um trabalho conduzido pelo Museu Nacional em conjunto com o Serviço de Caça
            e Pesca. Liderado pelo pesquisador George Myers, então curador da coleção de peixes do
            Museu de História Natural da Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), que sucedeu
            um conceituado ictiólogo brasileiro, Alípio de Miranda Ribeiro, o trabalho resultou na
            publicação do primeiro anuário pesqueiro do Brasil em 1944, que se constituiu no em-
            brião do monitoramento pesqueiro nacional. No final da década de 1950 e início de 1960,
            portanto, o País já detinha conhecimento e planejamento necessários à gestão pesqueira
            nacional, grande parte dos quais, porém, se perdeu nas décadas que se seguiram.
            Em  1961,  foi  criado  o  Conselho  de  Desenvolvimento  da  Pesca  –  Codepe  (Decreto
            nº 50.872), que era diretamente subordinado à Presidência da República e tinha a atri-
            buição de coordenar as ações relativas ao planejamento, à pesquisa e à formação de
            recursos humanos no setor pesqueiro. Esse Conselho possuía caráter provisório, uma
            vez  que  estavam  sendo  feitos  preparativos  para  a  criação  da  Superintendência  do
            Desenvolvimento da Pesca (Sudepe), ato que se materializou por meio da Lei-Delegada
            nº 10, de 11 de outubro de 1962, marcando, assim, o fim desse período. Com a criação
            da Sudepe, foram extintas a Caixa de Crédito à Pesca e a Divisão de Caça e Pesca, ambas
            do Ministério da Agricultura.

            2.4.3. Terceiro período: 1962 a 1989
            Esse período, em sua maior parte inserido no governo militar (1964 a 1985), foi marcado
            por um forte viés desenvolvimentista que resultou, como já mencionado, no superdi-
            mensionamento de unidades processadoras e frotas pesqueiras, particularmente em
            decorrência do Decreto-Lei nº 221, de 28 de fevereiro de 1967, que, além de instituir um
            novo Código de Pesca, estabeleceu uma série de incentivos fiscais para a atividade pes-
            queira. Em consequência, a produção pesqueira nacional apresentou um rápido cresci-
            mento, saltando de 420.000 t em 1967 para cerca de 800.000 t em meados da década de
            1980. Esse crescimento, contudo, ocorreu de forma desordenada e incompatível com os
            limites de sustentabilidade dos principais recursos explotados, resultando no esgota-
            mento, e mesmo colapso, de diversos estoques.
            Do ponto de vista do monitoramento da atividade pesqueira, porém, houve avanços
            importantes. Em meados da década de 1960, o Brasil já dispunha de tabelas de pro-
            dução  pesqueira  georreferenciadas  por  espécie  e  aparelho  de  pesca,  por  exemplo.
            De grande relevância nessa década foi o desenvolvimento do Programa de Pesquisa e
            Desenvolvimento Pesqueiro (PDP), realizado mediante convênio entre o Ministério da
            Agricultura e a Sudepe, com o Programa do Fundo Especial para a Pesca da FAO. Com
            um orçamento de US$ 850 mil, à época, o PDP tinha por objetivo assessorar o governo


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