Page 408 - Brasil e o Mar no Século XXI
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5ª Parte: O Mar – Ecologia e Turismo
CAPÍTULO XII: POLUIÇÃO MARINHA
A presença de carvão mineral, caulim, feldspato, argila e barro branco possibilitou o
desenvolvimento das indústrias extrativas e de transformação de produtos minerais
não metálicos, que se dedicam à confecção de pisos e azulejos. Criciúma constitui o
centro da região carbonífera de Santa Catarina e, portanto, o que mais sofre com a
poluição provocada por essa atividade. Assim, também é recomendável o monitora-
mento dessas áreas para que se possa avaliar o impacto dessa atividade industrial.
A extração do carvão provoca degradação ambiental não só por suas caracterís-
ticas intrínsecas, mas também devido ao alto teor de impurezas do carvão, que
produz uma proporção de rejeitos na ordem de 60%, originando problemas devido
à sua inadequada disposição (EGLER, 1995; IBGE, 2011). As usinas termoelétricas
contribuem significativamente para a degradação ambiental porque, na queima, o
carvão libera grande quantidade de enxofre, elemento que reage com o oxigênio
e a água presentes na atmosfera, formando a chuva ácida, que pode provocar o
desfolhamento de plantas, a acidez do solo e até a morte de peixes em sistemas
aquáticos de pequeno porte.
• Beneficiamento e exportação de minério de ferro e produtos siderúrgicos:
Atualmente, estão entre os principais produtos das exportações brasileiras. Há
duas grandes áreas produtoras situadas no interior do território nacional: o
Quadrilátero Ferrífero (MG) e a Serra de Carajás (PA), de onde partem ramais fer-
roviários que desembocam em terminais especializados com unidades de peloti-
zação. São os terminais da Ponta da Madeira, em Itaqui (MA); de Tubarão e Vitória
(ES), onde a Vale opera o Terminal de Paul, especializado em operações com fer-
ro-gusa; o de Praia Mole (SC), onde se destacam operações de apoio às usinas si-
derúrgicas de Tubarão, Usiminas e Açominas; e o de Mangaratiba (RJ), explorado
pela Minerações Brasileiras Reunidas (MBR).
Associadas ao beneficiamento de minério de ferro ou à proximidade de terminais
de desembarque de carvão siderúrgico, grandes plantas industriais foram estabe-
lecidas no litoral, como a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), em Cubatão;
a Companhia Siderúrgica da Guanabara (Cosigua), em Santa Cruz, município do
Rio de Janeiro; a Companhia Ferro e Aço de Vitória e a Companhia Siderúrgica de
Tubarão (CST), no Espírito Santo; a Usina Siderúrgica da Bahia (Usiba), em Simões
Filho; e a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no Rio de Janeiro; entre outras.
No Quadrilátero Ferrífero (MG), o rompimento da barragem do Fundão, local de
despejo dos resíduos da mineração de ferro da Samarco Mineração S.A., de pro-
priedade das empresas Vale do Rio Doce e BHP Billiton (anglo-australiana), causou
um vazamento de aproximadamente 35 milhões de metros cúbicos de lama, que
percorreu em seis dias mais de 600 km, da barragem em MG até a foz do Rio Doce
em Regência, no litoral do Espírito Santo. Além dos graves impactos socioambien-
tais ao longo do Rio Doce, incluindo a morte de 19 pessoas, o desastre causou um
aumento extraordinário na carga de sedimentos em suspensão (até 33,000 mg/L)
e metais associados, como ferro, alumínio e manganês, além de outros elemen-
tos metálicos tóxicos, como arsênio e mercúrio (NETO et al., 2017). O aumento do
mercúrio é atribuído à remobilização de sedimentos enriquecidos por esse metal
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