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5ª Parte: O Mar – Ecologia e Turismo
                                                               CAPÍTULO XII: POLUIÇÃO MARINHA
            2.2.3. Complexo agroindustrial
            O setor agroindustrial assumiu proporções crescentes depois de sua modernização na
            década de 1970. Do ponto de vista da ZC, seus impactos aparecem em diferentes seg-
            mentos, entre os quais se destacam os descritos a seguir.
            •   Produção e refino de açúcar e de álcool:
                Com  os  incentivos  do  Programa  Nacional  de  Melhoramento  da  Cana-de-açúcar
                (Planalsucar)  e  do  Programa  Nacional  do  Álcool  (Proálcool),  expandiu-se  a  área
                plantada  e  implementaram-se  destilarias  autônomas  nos  tabuleiros  costeiros  do
                Nordeste Oriental de Sergipe até o Rio Grande do Norte. A conquista de tabuleiros
                pela cana impactou os estuários nordestinos. O emprego de fertilizantes e agrotó-
                xicos na lavoura, a lavagem da cana e os derrames de vinhoto afetaram a rede flu-
                vial local, principalmente em Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba, onde vários
                ecossistemas estuarinos e os efluentes industriais e urbanos de um vasto sistema de
                drenagem foram comprometidos pela produção sucroalcooleira.
            •   Exportação, importação e beneficiamento de grãos:
                Atividades tradicionalmente implantadas na ZC, foram intensificadas com a urba-
                nização acelerada devido ao grande volume de trigo importado para o consumo
                humano e ao crescimento da exportação de grãos, principalmente soja e deriva-
                dos. A implantação de silos e moinhos e o forte movimento de cargas a granel
                constituem verdadeiros corredores de exportação, com pique durante a safra em
                portos como Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS), e boa parte do trans-
                porte sendo feito por via rodoviária.
                Particularmente em Rio Grande, no Distrito Industrial da cidade, essa atividade é
                intensa. Foram construídos terminais graneleiros e existem indústrias que proces-
                sam soja e produzem óleos vegetais com instalações junto às margens da Enseada
                Estuarina Saco da Mangueira. Vários tipos de atividades agrícolas utilizam agrotó-
                xicos que, devido à lixiviação, comprometem a qualidade dos sistemas hídricos,
                por vezes localizados nas imediações de conglomerados urbanos. Como exemplo,
                pode-se destacar a rizicultura extensiva no Rio Grande do Sul e em algumas regiões
                de Santa Catarina, onde são empregados defensivos em grande escala. Em períodos
                de chuvas, a água que escoa dessas agriculturas contamina os ambientes aquáticos
                receptores, podendo chegar até a zona costeira através dos estuários.

            •   Fruticultura e fabricação de sucos e concentrados:
                Tem se expandido nas áreas costeiras do Nordeste por meio dos cultivos de coco,
                caju e frutas cítricas. Embora o coco e o caju sejam produtos tradicionais da ZC nor-
                destina, a intensificação dos cultivos, com tratos culturais e técnicos caracteriza-
                dos pela forte utilização de recursos hídricos nos perímetros irrigados, e a implan-
                tação de unidades de processamento próximas ao litoral exigem monitoramento
                quali-quantitativo para evitar impactos sociais e ambientais.
            •   Beneficiamento do pescado e pesca :
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                Tradicionalmente disperso ao longo do litoral, tem sofrido gradual especialização e tra-
                tamento técnico devido às exportações de pescados nobres, como lagosta e camarão.

            13 Mais detalhes no Capítulo VI: Pesca.


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