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5ª Parte: O Mar – Ecologia e Turismo
CAPÍTULO XII: POLUIÇÃO MARINHA
produz celulose de fibra curta branqueada a partir do reflorestamento de áreas degrada-
das ao longo da Estrada de Ferro Carajás, região inserida no Programa Polos Florestais
da Amazônia Oriental.
Projetos de ampliação de indústrias já existentes (como a Celulose Riograndense, do
grupo chileno CMPC, antiga Aracruz, na cidade de Guaíba) e de outras novas (como
a Votorantim Celulose e Papel – VCP) estão em fase final para implantação na área da
Lagoa dos Patos (RS) como resultado da fusão de potentes grupos atuantes no setor.
2.2.6. Complexo da construção civil
Atividades na ZC estendem-se desde a extração de areia, brita e rochas ornamentais até
a produção de cimento (e seus artefatos) e tijolos (nas olarias).
A produção de cimento, orientada pelas jazidas de calcário, ocorre na ZC em diferentes
estados do Sudeste e do Nordeste. Seus efeitos poluidores estão na emissão de particula-
dos, críticos nas vizinhanças das áreas urbanas, como em João Pessoa (PB) ou Cubatão
(SP). Fortemente oligopolizado, esse setor é controlado por grandes grupos de capital
nacional, cuja política de investimento é definida em função de estratégias de manuten-
ção de controle do mercado.
A extração de areia e brita está condicionada à proximidade dos núcleos urbanos con-
sumidores ou de grandes obras de engenharia na ZC. É praticada em diversos pontos do
litoral, com sérias limitações no que diz respeito ao controle da atividade e, não raro,
também está presente em áreas de preservação permanente.
A extração de rochas ornamentais, como o mármore e o granito, é uma atividade tradi-
cional no sul do Espírito Santo, mas também se dissemina no Nordeste, principalmente
na Bahia e no Ceará. Embora a extração não seja intensa na ZC, a estrutura de trans-
porte, armazenagem e beneficiamento está localizada em centros urbanos litorâneos,
como Fortaleza (CE), que recentemente criou um Polo Graniteiro voltado, em grande
parte, para a exportação de rochas ornamentais.
2.3. Caracterização da dinâmica portuária 14
Os transportes terrestres e o movimento portuário brasileiro têm mantido um ritmo
forte, principalmente devido ao desempenho da agricultura na exportação, mas tam-
bém em função da produção e da exportação de minérios, entre outros produtos.
O crescimento econômico dos últimos anos no Brasil vem pressionando os governos
para a resolução de grandes gargalos, como o escoamento da produção. Nesse contexto,
vários portos brasileiros estão sendo modernizados e ampliados para atender às cres-
centes demandas do comércio internacional, dependente da estrutura e da logística de
transporte marítimo.
Entretanto, muitas atividades portuárias, como as operações de dragagem e derro-
camento, são fontes de problemas ambientais (BARLETTA et al., 2016). É recomen-
dável que os ecossistemas estuarinos sejam estudados antes de essas indispensáveis
14 Mais informações no Capítulo IX – Portos.
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