Page 416 - Brasil e o Mar no Século XXI
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5ª Parte: O Mar – Ecologia e Turismo
                                                               CAPÍTULO XII: POLUIÇÃO MARINHA
            •   Complexo  Estuarino-Lagunar  Mundaú-Manguaba  (AL):  é  onde  se  situa  o  Polo
                Cloroquímico de Alagoas e se concentram plantações, usinas e destilarias do setor
                sucroalcooleiro. O quadro de poluição é agravado pelos dejetos da aglomeração
                urbana de Maceió;
            •   Estuário do Rio Ipojuca, onde se situa o Complexo Portuário Industrial de Suape
                (CPIS), e dos Rios Beberibe e Capibaribe, em Recife (PE): estão presentes na região
                complexos industriais químico, metal-mecânico e de têxteis e vestuário. Os dejetos
                da aglomeração metropolitana e a elevada vulnerabilidade natural das  áreas ala-
                gadiças densamente ocupadas por moradias subnormais (mocambos) reforçam o
                quadro de poluição ambiental;

            •   Estuário do Rio Paraíba do Norte (PB): recebe efluentes do setor sucroalcooleiro e da
                aglomeração urbana de João Pessoa;
            •   Estuário do Rio Açu (RN): tem expressiva concentração da produção salina próxima
                ao porto de Macau e às vizinhanças do sistema terrestre de apoio à exploração mari-
                nha de petróleo e gás natural em Guamaré, de onde parte importante rede de dutos;
            •   Estuário do Rio Jaguaribe (CE): é onde fica o porto de Aracati, de elevada vulnera-
                bilidade natural;
            •   Estuário do Rio Parnaíba (PI): abriga o porto de Luiz Correa, também de elevada
                vulnerabilidade natural;
            •   Golfão Maranhense (MA): área de grande vulnerabilidade natural onde ocorre uma
                forte concentração de equipamento produtivo do complexo metal-mecânico com
                a Alumar, uma das maiores unidades de processamento de alumina do hemisfério
                sul. É onde se situa o terminal de Itaqui, operado pela Vale para a exportação dos
                minérios de ferro e manganês da Serra de Carajás;
            •   Baía de Marajó: localizada entre o Pará e o Amapá, na foz do Rio Amazonas, tem
                todos os problemas de uma imensa superfície plana com elevada instabilidade na-
                tural, agravados pela presença de equipamento produtivo do complexo metal-me-
                cânico, principalmente no município de Barcarena (PA), e pelo rápido incremento
                da população urbana sem serviços básicos na área de influência de Belém.
            Essas áreas selecionadas fazem parte de trechos do litoral brasileiro nos quais os indi-
            cadores de risco ambiental, associados à grande vulnerabilidade dos sistemas naturais,
            são bastante expressivos. Embora o potencial de risco tenha sido considerado elevado
            apenas em escala local, é importante destacar que a vulnerabilidade natural dos siste-
            mas potencializa, sem dúvida, as demais componentes do risco ambiental.
            Deve-se destacar, ainda, que o cerne da maioria dos problemas ambientais da ZC está
            na ocupação desordenada e não planejada dos solos e no acelerado processo de urba-
            nização e industrialização.



            3. Cenário internacional
            A questão da poluição ambiental, em particular a marinha, ultrapassa os limites nacio-
            nais, já que seus impactos atravessam fronteiras, implicando a necessidade de acordos


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