Page 421 - Brasil e o Mar no Século XXI
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Centro de Excelência para o Mar Brasileiro
            O BRASIL E O MAR NO SÉCULO XXI
            3.2. Xenobióticos
            Vale mencionar, ainda, alguns agentes de poluição marinha que passam relativamente
            despercebidos, mas que merecem cada vez mais atenção e empenho no desenvolvimen-
            to de medidas de remediação – os xenobióticos, compostos químicos estranhos a um
            organismo ou a um sistema biológico.
            Apesar de poderem ser encontrados em um determinado organismo, os xenobióticos
            normalmente não são produzidos por ele e nem se espera que nele existam. Como exem-
            plos, podem ser citados: os antibióticos, que não são produzidos pelo corpo humano e
            nem fazem parte da dieta humana; e poluentes, como dioxinas e PCBs. Determinados
            compostos naturais podem ser considerados xenobióticos se forem absorvidos por ou-
            tro organismo: por exemplo, a assimilação de hormônios humanos por peixes, a jusante
            de uma estação de tratamento de águas residuais. No Brasil, porém, muito pouco se
            conhece sobre os efeitos desses agentes na biota marinha.
            A Sociedade Americana de Química demonstrou que há mais de 72 milhões de substân-
            cias químicas mencionadas na literatura científica, das quais apenas cerca de 300.000 já
            foram reguladas. Estima-se a existência de cerca de 70.000 de uso cotidiano, às quais se
            adicionam, anualmente, de mil a duas mil novas substâncias.
            Grande parte desses elementos acaba atingindo o meio ambiente. Nos oceanos, podem
            existir milhares de diferentes substâncias químicas introduzidas pelo homem e esti-
            ma-se que, a cada ano, um número significativo delas chegue ao mercado, sendo que
            em torno de 4.500 se enquadram na categoria mais perigosa: os Poluentes Orgânicos
            Persistentes (POP), que são resistentes à decomposição, têm o potencial de se acumu-
            larem nos tecidos dos organismos vivos e podem ser transportados a longas distâncias
            na atmosfera e depositados em regiões frias. Os POPs incluem substâncias altamente
            tóxicas, como as dioxinas, os PCBs e vários pesticidas, como o dicloro-difenil-tricloroe-
            tano (DDT) e o dieldrin. A produção dessas substâncias em larga escala, se efetuada sem
            controle adequado, pode resultar em efeitos ambientais negativos.


            3.3. Fármacos
            De modo geral, os produtos naturais são a maior fonte de inspiração para diversas áreas
            da química e da ciência. Usando, copiando ou modificando as moléculas sintetizadas
            pelos seres vivos, o homem tem obtido inovações para seu benefício em diversas áreas
            e, entre elas, a de produção de fármacos .
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            Estudos químicos e farmacológicos realizados com organismos marinhos resultaram
            na descoberta de novos produtos naturais com ação em alvos moleculares peculiares, o
            que impulsiona a utilização desse conhecimento pela indústria farmacêutica no proces-
            so de pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos (COSTA-LOTUFO et al., 2009). A
            produção em larga escala, porém, se efetuada sem controle adequado, também poderá
            resultar em efeitos ambientais negativos.



            21 O Capítulo XVI – Biotecnologia Marinha aborda a matéria.


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