Page 423 - Brasil e o Mar no Século XXI
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Centro de Excelência para o Mar Brasileiro
            O BRASIL E O MAR NO SÉCULO XXI
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             A  meta  14.1  do  Objetivo  de  Desenvolvimento  Sustentável  (ODS)  14  da  Agenda  2030  enfatiza  que
             “a exploração de petróleo e gás em alto-mar, o transporte e a navegação marítima, a maricultura
             intensiva e a crescente urbanização da zona costeira são considerados os principais fatores geradores
             de poluição química e orgânica, bem como de resíduos sólidos, em particular o lixo plástico”.
             Na zona costeira e marinha sob jurisdição nacional do Brasil, de acordo com dados do Comando da
             Marinha, o País prospecta aproximadamente 91% da sua produção total de petróleo e 73% da sua
             produção de gás natural. Além disso, estima-se que, na camada do pré-sal, o Brasil possua 35 bilhões
             de barris de reservas recuperáveis.
             Nessa imensa área, que concentra 85% do parque industrial e cerca de 80 portos (públicos e privados),
             é produzido mais de 50% do PIB nacional, e consome-se 85% de toda energia gerada.
             Outra  lacuna  estatisticamente  relevante,  principalmente  no  que  diz  respeito  às  metas  14.1  e
             14.2, é a falta de informações e estudos no País sobre o problema do acúmulo de lixo no oceano,
             principalmente  com  relação  aos  detritos  plásticos  que  prejudicam  a  sobrevivência  de  peixes,
             crustáceos  e  mamíferos  que,  além  de  ter  grande  importância  para  o  equilíbrio  do  ecossistema
             marinho, também constituem fonte de alimento para muitas pessoas. Nesse sentido, é importante
             destacar que, segundo alguns autores, embora a legislação ambiental brasileira também contemple
             os  impactos  das  atividades  urbanas  sobre  o  meio  ambiente  marinho,  em  muitos  casos  o  poder
             público, sobretudo em âmbito subnacional, não dispõe de instrumentos e recursos adequados para
             garantir eficiência de monitoramento e fiscalização – por exemplo, no que diz respeito à gestão das
             águas residuais, que na maior parte do território são despejadas no mar sem tratamento.
             No que diz respeito à acidificação das águas marinhas (meta 14.3), o Brasil aderiu em 2006 à Iniciativa
             Internacional  dos  Recifes  de  Coral  (ICRI),  parceria  entre  governos,  organizações  internacionais
             e organizações não governamentais que visa promover a conservação dos recifes de corais e dos
             ecossistemas  relacionados  em  todo  o  mundo.  Além  disso,  desde  dezembro  de  2012,  a  Rede  de
             Pesquisa Brasileira em Acidificação dos Oceanos (BrOA – www.broa.furg.br) vem estudando, em
             caráter interdisciplinar, interinstitucional e internacional, a acidificação oceânica.
            Fonte: Nações Unidas no Brasil [s.d.].



            3.7. Aquicultura
            A aquicultura  é apresentada como o futuro da indústria de alimentos marinhos, mas
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            pode ser causadora de impacto quando altera o ecossistema e introduz substâncias e
            espécies exóticas. O cultivo de camarão é considerado uma atividade potencialmente
            destrutiva e insustentável quando leva ao desmatamento de mangues e à destruição
            de fauna e flora. O cultivo de peixes também pode acarretar problemas devido à baixa
            capacidade de aproveitamento da ração (a maior parte é produzida à base de pescado)
            e a todos os problemas ambientais associados ao cultivo feito no continente ou em mar
            aberto (COSTA, 1994).
            Outro ponto importante no contexto dos países em desenvolvimento e de economia em
            transição é a necessidade da gestão de poluentes de fontes difusas, principalmente os
            resíduos da agroquímica e os dejetos urbanos. O atendimento de tal necessidade exige
            mecanismos de participação contínua da sociedade, investimentos maciços em infraes-
            trutura de saneamento básico e pesquisa básica de longa duração.




            22 Mais informações no Capítulo VII – Maricultura.


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