Page 422 - Brasil e o Mar no Século XXI
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5ª Parte: O Mar – Ecologia e Turismo
                                                               CAPÍTULO XII: POLUIÇÃO MARINHA
            3.4. Construção de portos offshore

            A falta de espaço para a expansão portuária, que visa atender o potencial representado
            pela globalização e pelo crescente comércio mundial, tem levado portos de todo o mun-
            do a redirecionarem suas operações.
            Uma das possibilidades é a construção de portos afastados da linha de costa, os quais
            apresentam a grande vantagem de não precisarem de dragagens frequentes. Por outro
            lado, essa modalidade deve gerar novas situações de ameaças ambientais, que exigirão
            técnicas de remediação cada vez mais aprimoradas.


            3.5. Radionuclídeos
            A contaminação radioativa no mar tem muitas causas, entre as quais estão, historica-
            mente, os testes com armas nucleares. Entretanto, não deve ser feita uma generalização
            negativa, pois a presença de muitos isótopos naturais no ambiente marinho pode cons-
            tituir ferramenta essencial para reconstruir as condições ambientais do passado, como,
            por exemplo, a produtividade dos oceanos, os padrões e taxas de circulação oceânica
            e as estruturas de ecossistemas, fortalecendo o debate sobre as mudanças globais do
            passado e do futuro.
            Além disso, as distribuições de radionuclídeos naturais e artificiais podem ser modela-
            das para a obtenção de taxas de uma diversificada gama de processos, incluindo o fluxo
            de material particulado expelido das águas superficiais, o consumo e a remoção de es-
            pécies químicas reativas, bem como fluxos e transportes de elementos nos oceanos em
            escalas de tempo não atingíveis por medição direta.

            3.6. Lixo marinho

            Em relação a esse grave problema, é importante mencionar que o Brasil aderiu à campa-
            nha global Mares Limpos (Clean Seas), lançada em 2017 na Cúpula Mundial dos Oceanos
            sob liderança das Nações Unidas para combater o lixo nos oceanos (UNOC, 2017; ONU
            NEWS, 2017). A campanha foi lançada no Brasil em junho de 2017 com o objetivo de pro-
            mover, durante cinco anos, ações para conter a maré de plásticos que invade os oceanos
            (UNIC RIO, 2017). Algumas das principais diretrizes desse programa estão em conso-
            nância com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14) da Agenda 2030 da
            ONU e são apresentadas, a seguir, no Quadro 1.

            Quadro 1: Campanha Global Mares Limpos – ONU Meio Ambiente.
             Os  objetivos  globais  incluem  o  engajamento  de  governos  e  multinacionais  com  o  banimento  de
             diversos tipos de plásticos descartáveis e das microesferas de plástico de cosméticos e produtos de
             higiene.
             No Brasil, a Mares Limpos tem os objetivos de apoiar o Plano Nacional de Combate ao Lixo no
             Mar,  a  criação  de  Áreas  Protegidas  Marinhas,  a  implementação  do  Acordo  de  Logística  Reversa
             de  Embalagens  em  buscar  compromisso  de  empresas  com  a  redução  dos  descartáveis  em  suas
             atividades ou o banimento de microesferas de seus produtos, e levar formação sobre redução do lixo
             que chega ao mar aos gestores de cidades costeiras.
                                                                                continua

                                                                                    421
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